PAGAN DAYS <$BlogRSDURL$>
Pagan Days: nova morada

sábado, janeiro 31, 2004

Walkie Talkie AIR?

Os AIR (Jean Benôit Dunckel et Nicolas Godin) cada vez melhores. Lançaram agora Walkie Talkie que é excelente!...Recomendo vivamente para um sábado à noite...

Antes de jantar, o homossexual?

Nunca me ocorreu escrever sobre outro blog. Remeto habitualmente para posts and so on, mas hoje e tendo em conta o blog em questão, o nosso fundamental HOMOSSEXUAL, que se suspeitou ter sido censurado, depois reapareceu revigorado. Como depois de uma boa noite de BOM sexo (sim, V., eu sei que é importante referir a qualidade) e de sono acompanhado a seguir (ou sozinho). E continua entre um registo ficcional-testemunhal e o registo da crónica. No seu modo sui-generis. A minha observação vai para a escrita sexualmente explícita. E sem necessidade da legitimação dos sentimentos para redimirem a culpa cristã, onde o amarem-se um aos outros não é sinónimo de orgias. Parece-me muito importante que também seja possível falar de uma sexualidade não alimentada por sentimentos, para o caso queer. Ou seja, de que nem tod@s tenhamos que viver monogamicamente acasalados, nem que tod@s tenhamos de ter 4 engates a cada esquina. Penso que este blog salienta a alternância entre vários estados possíveis até na mesma pessoa e reinventa ou recria um mundo de potencialidades como é a sexualidade, que não necessita de estar aprisionada nem a normas de família, nem a normas grupais de sexualidades predatórias. Gosto do registo, gosto das possibilidades. Acho que é um blog politico, pela sua capacidade de reinvenção das identidades, no plano da cama e no plano da análise dos discursos sobre estas identidades. É que muitas vezes se esquece, nessa suprema legitimação e sacralização do ser queer, que a orientação sexual é também sexual e que não é só amor, sentimentos e realidades delicodoces (ou nem por isso) de conjugalidades. Por isso, amai-vos uns aos outros, conhecei-vos biblicamente, disfrutai...seja em família, seja fora dela... Lembro-me do grito orgasmático da bjork e do seu "ENNNNNNNJOYYYYY" mas também da cadência sexual do bíblico Cântico dos Cânticos...ou do nosso HOMOSSEXUAL...

pop?

No Mil Folhas de hoje, não perder a desconstrução de um dos símbolos da cultura light-pop-anódina-ready to eat and have sex with-beautiful people-neoliberal-neocon-marketing white asseptic nothing-and so on- portuguesa, a sempre presente e sempre vendável, MRP (não referencio, não vá o google apontar o meu blog com o nome dela)...e o seu livro sobre adolescentes que sonham com pop stars. A ideia de que MRP acompanha o zeitgeist é totalmente desconstruída, pois de acordo com a Rita Pimenta, que teve que ler o livro (a pobre!), a personagem principal é misto da adolescência imaginada de hoje com as memórias retocadas da adolescência da autora. Imaginem a adolescente 2004, a ler Saint-Exupery (essa referência cristianizada e cristalizada até no nome, que todas as gerações, guiadas por um dictum moral deveriam ler...o que a torna uma meta narrativa de legitimação, para explicar a construção de laços e de afectos...tão XIS!!!! hoje deitei-a fora mal a vi, ainda na loja...para não estragar o dia) e a ver a Lagoa Azul (eheheeheheh....não seria mais uma Lara Croft, MRP!). Há pouco tempo, uma amiga, que desconhecia os nomes destes grandes expoentes, teve a infelicidade (a pobre!) de ler um livro de umas dessas divas da escrita (leia-se desperdício total de papel) salientava-me o uso de nomes tios: as Ineses, as Catarinas, as Marianas, as Mafaldas, as Constanças, os Joões Pedros, os Martim's, os Afonsos, os Diogos (sem desprimor para os portadores de tais nomes, mas creio que qualquer observador/a da Portuguese Elite já deu por estes nomes e pela sua reprodução em várias classes sociais, nomeadamente nos aspirantes a beautiful people), and so on...que fazem desta literatura uma exibição de um gosto hegemónico (o bom do Gramsci). Não incito a que não os leiam, quem sou eu?, mas francamente não aprecio o genre...nunca li, mas a ideia de passar horas a ouvir histórias heterocêntricas de uma Mafalda cheia de girlie's issues, apaixonada por um machista, ainda que escondido, debaixo do capote chic de jipes, casacos de ensebar, whisky e cavalos...repugna-me! Uma Pam apaixonada por um pop star, descrita de modo "fora de prazo" e cito a excelente Rita Pimenta: "O resultado é uma espécie de "cota" com "piercing" no umbigo. Pouco convincente." Comprem pois os livros dela, os que gostam, sempre fazem aumentar as vendas do sector ficção. Ainda por cima esta é a literatura que vende imenso. Quem não morde a cena (a rita pimenta diz que ela usa esta expressão que é tão demodé que me faz impressão escrevê-la aqui), pois deixe-a. Mas que se critique e se desconstrua como qualquer outra obra literária. Espero não ver a dita a esgrimir a sua qualidade literária com o argumento da venda e a piada supostamente witty contra esses intelectuais que a perseguem (duhhh!), numa televisão perto de si. Deve ser bom para ler no autocarro e não pensar em nada...alienação literária?

Genealogias Pagan?

Hoje estou tão tão egocêntrico que vou falar sobre @ Pagan... Pagan é uma tentativa de criar uma personagem híbrida. Um cyborg, que consiga escrever de forma pós-género, num mundo de mediação tecnológica. "A cyborg is a cybernetic organism, a hybrid of machine and organism, a creature of social reality as well as a creature of fiction" (HARAWAY). Assim, este blog acaba por ter 2 autorias: a do autor e a d@ Pagan, um cyborg nascido por clonagem, mediação entre o/a autor/a e a Tecnologia. Um pouco esquizofrénico o processo. O grande problema está em distinguir um@ e outro. Mas essa é a ironia do cyborg, já de si uma mediação...um self individual e um self colectivo, rizomaticamente ligado a um corpo sem orgãos, integrado nos circuitos de produção. A distinção é irreal, pertence ao domínio do imaginário e visa corroer as taxonomias ready to eat and to take to bed... É claro que do ponto de vista do/a autor/a, surge por vezes, a simplificação de cair nas categorias de sexo previamente estabelecidas. Contudo, esta simplificação ameaça o/a autor/a-cyborg, porque esse/a é irredutível às oposições, por ser hibrído, clone... "A cyborg body is not innocent; it was not born in a garden; it does not seek unitary identity and so generate antagonistic dualisms without end (or until the world ends); it takes irony for granted". (Haraway again and again)...A esquizofrenia do processo é necessária para a criação de identidades -necessariamente políticas. Cyborg nem é uma identidade, porque é híbrido, logo recusa ironicamente as ontologias. O próprio dualismo autor-personagem, descontrói-se porque um/a é um híbrido político entre o/a outro/a e a tecnologia...ehehehehe...E isto é apenas uma ficção como a própria ciência, pós Haraway. Donde Haraway, Latour e Deleuze partilham aqui uma personagem, criada à inspiração dos seus escritos. Não lhes chamo musas, porque a Donna Haraway prefere ser cyborg do que deusa. O grande problema reside na situação genderizada do autor...que prefere usar a metáfora do cyborg para assumir num jogo de espelhos uma identidade, que não o sendo porque híbrida e anti-dualista, o é porque ele tem uma identidade de género. Daí a grande perturbação...mas Haraway, profetisa cyborg, oferece a solução da heteroglossia para me salvar (a mim autor? a mim cyborg?)... E esta é a resposta final ao sexo d@ Pagan: "Cyborg imagery can suggest a way out of the maze of dualisms in which we have explained our bodies and our tools to ourselves. This is a dream not of a common language, but of a powerful infidel heteroglossia. It is an imagination of a feminist speaking in tongues to strike fear into the circuits of the supersavers of the new right. It means both building and destroying machines, identities, categories, relationships, space stories. Though both are bound in the spiral dance, I would rather be a cyborg than a goddess." Está tudo no Manifesto.

Reacções dos cientistas?

Uma leitura muito tardia do Público mostrou que, em França, há mais do que o debate sobre a laicité, profusamente espelhado no Le Monde de Dezembro. Os cientistas, em França, organizaram manifestações, petições, jornadas de reflexão e outras formas de luta e criaram o website Sauvons La Recherche. Esta tentativa de responsabilizar o Estado pela investigação científica, exigir uma nova política para a ciência, criticar e impedir a progressiva privatização do financiamento e condenar a política de congelamento de admissão de jovens investigadores, parece-me muito positiva. A reacção da comunidade científica francesa está nos antípodas das reacções tímidas da nossa comunidade científica. E garanto, conhecendo estes dois contextos de produção de ciência, a situação francesa, por muito pior que esteja, está sempre melhor que a nossa condição semi-periférica. A política continuada de desinvestimento, cortes e congelamento das contratações das universidades vai perpetuar e piorar a nossa condição semi-periférica. E temos uma ministra, que nem sequer se apercebe, que as soluções políticas que oferece até já estão previstas no ordenamento juridíco e em propostas de ministros anteriores...nomeadamente o que ela mais critica (ver site snesup com entrevista comentada).Os cidadãos não cientistas também se poderiam manifestar contra esta situação...um país sem ou com pouca investigação não tem qualquer hipótese hoje em dia... Ri-me imenso quando ela quer criar a carreira de investigador, quando esta está criada já há alguns anos...eheheeheh

HOMOFOBIA! e dominância simbólica?

Regresso a um dos temas preferidos. A teoria social. Aproveito este blog para me permitir, de forma diletante, a explorar um interesse académico/profissional, sem as preocupações habituais de quem escreve um paper para publicação. Aqui sou eu o referee. A homofobia, tal como o sexismo, sempre foram temas que me interessaram e hoje quero abordar aqui uma das faces do problema, nomeadamente o reconhecimento social (tema caro a Hegel) destes preconceitos. Considerando esta questão no plano simbólico, do ponto de vista da criação histórica de significados em torno destes temas do pensamento social, estamos perante o chamado pensamento estigmático. Um pensamento que estabelece a oposição entre grupos e separa o trigo do joio, os aceitáveis e os inaceitáveis, dominantes e dominados, se aceitarmos (como eu) a premissa de que os grupos são atravessados por feixes de relações de poder, de dominação. Os grupos a que me refiro e que passo a contextualizar, são as mulheres e os gays e lésbicas, em relação com os homens e @s heterossexuais. Estas relações de poder implicam, de acordo com a concepção de Simone de Beauvoir, distâncias relativas em relação ao ideal de pessoa adulta (Em Portugal, refiram-se também as análises de Lígia Amâncio, para o caso do género). Os grupos dominantes irão tender a aproximar-se e a confundir-se com o ideal de adulto e de pessoa (ipseidade, na linguagem filosófica), enquanto que @s dominad@s se distanciam dessa representação ideal e a serem representados pela alteridade face a esse modelo de ser. A alteridade representa pois um ser que é definido por ser um eterno Outro face a um modelo de ser. Neste caso, ao modelo de ser pessoa. A expressão da alteridade pode assumir uma série de formas que vão desde as mais subtis (a exaltação da maternidade como grande realização ontológica das mulheres) até às mais radicais e flagrantes (os genocídios, os assassínios colectivos, as limpezas étnicas, as violações). Acho importante desmistificar a ideia de que, nestes modelos de relação entre grupos, são os dominantes que discriminam e os dominados que são discriminados. Temos imensos exemplos de auto-derrogação, nomeadamente no caso das mulheres (discursos sexistas das mulheres, por exemplo). As relações entre os sexos não devem ser entendidos como uma guerra, até porque como mostram os trabalhos de Miguel Vale de Almeida (sim, porque como sabem, ele não tem só o blog...) sobre a masculinidade hegemónica (no Alentejo), existem consequências das ordens de género (Connell) para os homens. Não é tanto ao nível de uma atitude positiva-negativa que as relações entre estes grupos são passíveis de serem estudadas. É mais importante analisar o modo como determinados significados são construídos e entender o processo histórico-sociológico da sua construção. Ora, a meu ver, e eu sou apenas um@ cyborg, o processo de construção do sexismo está neste momento imbuído de estratégias de invisibilização do mesmo, de denial, apesar de ainda aparecerem discursos perfeitamente GRITANTES, como por exemplo, um aluna de uma instituição universitária, que recentemente brindou uma docente com a frase, mais ou menos assim: "Mas isso da violação não existe. São elas que querem". No caso menos extremo, temos o discurso típico: "Elas, pela educação, chegam lá!" Apesar de muitos deles nem precisarem da educação (nem mesmo a informal) para lá chegarem. Daí, nem dominantes, nem muitos dos dominados não o chegarem a perceber. Falta-lhes a consciência da discriminação (de Beauvoir e o Segundo Sexo, outra vez). Já no caso da homofobia, ainda estamos no domínio das trevas. Ainda continuamos a ter discursos profundamente homofóbicos e mesmo de bashing na esfera pública, que são motivo de exclusão da cidadania e do contrato social. E também uma das causas da falta de visibilidade dos gays e lésbicas na esfera pública. Muitas vezes, os dominantes nem se dão conta da existência destes fenómenos, que são ocultados pela construção de uma modernidade aparente e remetem estas situações para o passado longínquo da ditadura (não tão longe como tudo isso, do ponto de vista histórico). Ainda qu muitos grupos permaneçam eternos outros e que a diferenciação seja punitiva nomeadamente para os grupos dominados. Não falo em minorias, até porque no caso das mulheres, elas são metade da humanidade. Lésbicas e gays não se sabem quantos são. A homofobia e o sexismo fazem pois parte deste processo de dominação e inscrevem-se nas lógicas simbólicas das proximidades e das distâncias face ao modo de ser aceitável, universal e normativo, numa dada cultura. É por essa razão que a desconstrução destes processos e destas representações é urgente e recomenda-se...

sexta-feira, janeiro 30, 2004

os meus links??????? ?

Os meus links têm vida própria...Agora no fundo da página...I don't understand, i'm not following you, Hello! You Are O-Renshi the Yakuza Queen
You are O-renshi, the Yakuza Crime lord who works
for Bill and helped destroy "The
Bride"'s wedding and almost killed her.

Which Kill Bill Character are you: Volume 1
brought to you by Quizilla Tem vários erros...mas whatever

O Cardeal Pervertido?

O Cardeal Pervertido foi processado. Joos, o homofóbico foi processado...hip hip hurra! Remeto para o Blogo Social Português...Saudações para a organização belga Centre for Equal Opportunities and the Fight Against Racism (CEOFAR). Mais informação em Expatica

Bebel Gilberto?

Fascina-me o toque electrónico nos remixes e a clareza da voz da Bebel. Despretenciosa nas letras, Bebel faz-me sempre dançar...Te amo, Bebel! Ouvir a versão do Album (Tanto Tempo) e a versão remix (Tanto Tempo remixes)... 03. TANTO TEMPO Music by Bebel Gilberto, Suba / Lyrics by Bebel Gilberto Ando tanto tempo a perguntar Porque esperar tanto assim de alguém Percorrendo espaços no mesmo lugar Não sei a quanto tempo estou a te buscar Num segundo eu vou Sabendo e percebendo o seu sabor Sem ter medo estou Correndo contra o vento sem nunhum rancôr Ando tanto tempo a perguntar Porque esperar tanto assim de alguém Sem saber Sem qualquer medo de vêr Música para sexta feira e para passagens de ano e todas as festas...privadas! Lounging, Pagan In www.bebelgilberto.com

Fumo?

Recomendação em noite de forte chuva em Lisboa... DRAG da KD Lang e especialmente "Smoke Rings": Tell me where do they go These smoke rings i blow each night What do they do these circles of blue and white Why do they seem to picture a dream of love Why do they fade my phantom parade of love Puff puff puff puff your cares away Puff puff puff night and day Blow blow them through the air silky little rings Those little smoke rings I love take me above with you Puff puff puff puff your cares away Puff puff puff night and day Blow blow them through the air silky little rings Those little smoke rings I love please take me above Take me with you

quinta-feira, janeiro 29, 2004

De Santas Intenções...?

Mais uma grande declaração desse grande homem que é João Paulo II. Em mensagem lida hoje, este grande senhor declara que a indústria farmacêutica é criminosa por não facilitar o acesso aos anti-retrovirais nomeadamente por via dos genéricos, em zonas gravemente afectadas pela SIDA. Certo. É importante salientar este aspecto. Mas a mensagem de JPII esqueceu-se de uma coisa: a prevenção. Que como se sabe é feita usando preservativo. E esta igreja condena o uso do preservativo! Como podem falar da SIDA, quando têm a irresponsabilidade de manter discursos assassinos face à prevenção da doença. Esta perversão demagógica permite-lhes manter um discurso politicamente correcto, até em voga, mas perpetuam por detrás discursos esclerosados que legitimam que não se use preservativo. Preferem falar de uma continência e abstinência sexual, possível quando se tem 80 anos, se sofre de impotência e não se quer que os outros usufruam do prazer. Inadmissível contradição.

Laranjas podres?

Um olhar rápido sobre as notícias que abordam as declarações públicas dos membros do Governo, tornam evidente, mesmo sem análise de conteúdo, que o actual Executivo continua no registo da Culpa do governo anterior. Não sou do PS, mas francamente acho inadmissível. Que se atribuam algumas culpas ao Governo anterior, tudo muito bem, faz parte do jogo político e de demonstrar que se é melhor que os outros. Agora por cada assunto levado à praça pública, atribuir as culpas ao executivo anterior, como é o caso das declarações do Ministro da Educação sobre os resultados das provas de aferição, parece-me demasiado. Não discuto nem imputo, neste caso particular. O que me parece é que um governo cuja grande obra política têm sido enormes cortes orçamentais e o desinvestimento em geral(deficit, tanga e D. Manuela), denunciar o governo anterior (em vez de governar, faz-se oposição a um governo que já não está no poder) e alimentar o baixissimo nível de participação pública e política, deseducando os portugueses (efeitos directos do desinvestimento na educação e na ciência), não é de modo nenhum um governo. É a total inversão de papéis, é fazer do Governo um mero tesoureiro oposicionista. Maximizar o lucro, diminuir os custos, guardar dinheirinhos. Um exemplo fresquinho é a redução das comparticipações de saúde para a função pública, entre 1,1% e 66% (!). Acompanhado pelo anúncio anterior, do aumento nulo para os salários superiores a 1000 euros e um aumento de miséria para os outros salários. Esta política económica penaliza directamente quer os funcionários no activo, quer os reformados... Parece-me de uma indecência maior. Atacar nas comparticipações de saúde, sem aumentar os salários é perfeitamente imoral. Portanto desinvestindo na saúde e na educação...resta o quê? O Euro 2004, as mortes em directo na televisão, a Casa Pia e a dormência de uma sociedade em que o deficit é que conta. Se a rosa murchou, a laranja está podre ...

O discurso homofóbico do Cardeal?

Era uma vez um cardeal belga que não gostava das pessoas GLBT. Não era nada fora dos costumes da sua instituição: uma certa igreja que se arrogava o direito de dizer o que estava certo e o que estava errado, de condenar muita gente (mulheres, divorciad@s, LGBT, e outros freaks), de os ter queimado noutros tempo nas fogueiras e de continuarem a produzir discursos assassinos como é o caso do discurso sobre o uso do preservativo em tempos de SIDA. Ora este Cardeal, à boa maneira desta instituição super conservadora pronunciou as seguintes blasfémias: "Seria capaz de escrever com meu próprio sangue que, de todos quantos se dizem lésbicas e homossexuais, não haverá nem 5% ou 10% que o sejam de facto. Os outros não passam de pervertidos" (ver post do Renas e Veados). Como continuam a ter pessoa capaz de dizer semelhante disparate e perversão nos mais altos graus da hierarquia? Esta impotência da instituição em responder aos novos tempos e manutenção de um conservadorismo a toda a prova, apesar de todos os escândalos dos últimos tempos (sim, a pedofilia mas a deles), levam-nos a pensar que se tratam apenas de um bando de velhos senhores sem mais nada para se entreterem do que vigiar a sexualidade dos outros... BOICOTE

O inefável?

Demorou mas aqui vai...tenho andado com o tempo todo tomado por urgentes afazeres profissionais...e porque existe vida de fora da blogosfera. De qualquer forma e como prometido, nomeadamente à Ana que me deu a ideia. Ok. Também li a crónica de João César (não o Monteiro, que tanta falta faz para nos estimular...), mas a do das Neves (muito menos interessante, a não ser como uma blague reaccionária de que nos rimos como caricatura). Pois o inefável resolve voltar a pronunciar-se sobre o aborto. E desta vez as metáforas que usa são ilustrativas: os caroços das laranjas e uma canção dos Delfins "Nasce Selvagem". Eu não sou fã dos delfins e ultimamente as laranjas dão-me azia (laranjas e chernes)...aliás desde 2002 para cá, que custo a engolir estes sapos. Ora diz o inefável que lhe faz confusão como é que pessoas sérias e sensatas podem defender a liberalização (já não é despenalização, para JC das N é liberalização e regabofe). A seguir compara a questão do aborto com cuspir ou não um caroço de uma laranja, após o deleite de a comer, como as mulheres em julgamento em Aveiro que " apenas limparam alguns efeitos laterais do seu legítimo deleite." Desta feita, a indignação que se esconde por detrás da ironia, remete mais uma vez para as sexualidades: "Hoje ninguém tem dúvidas que o sexo, tal como a laranja saboreada, tem como único objectivo o prazer. Que desse divertimento resulte um embrião é um percalço desagradável que, tal como o caroço, deve ser removido de forma higiénica e expedita." Mais uma vez, é a questão de ter que haver uma culpa e uma consequência do prazer. Essa é o castigo da maternidade. Se querem andar a gozar, têm que sofrer as consequências. Castiguem-se essas mulheres que gozaram. Não se fala em homens, o que mostra desde já quem são os alvos de todo este discurso. Mais à frente, ataca com os Delfins e a canção "nasce selvagem", que cita, para inferir o terrível erro que contem esta canção: é que não se nasce livre, fora da família, da história, da tradição e da religião (olha, não sou livre! Estou fora da religião. As coisas que este grande pedagogo nos ensina). O inefável denuncia a liberdade como o grande mito do nosso tempo e o aborto (a "infâmia suprema"), que nos é explicado com esta pérola: "Na busca da liberdade selvagem, cada um toma o seu prazer como absoluto, mesmo que isso destrua os frágeis que perturbam esse gozo.". Ou seja, o problema está liberdade selvagem...Até que ponto este discurso do inefável não ancora no paradigma Deus (religião), Pátria e Família? Até que ponto a condenação total do usos prazeirosos do corpo para as mulheres (de homens nem o cheiro), não nos transporta para o discurso do grande pai autoritário, de que a queda da cadeira nos livrou (lembrem-se da Obra das Mães!)? Quais são os limites? A veemência e o radicalismo conservador desta crónica, para além dos esquemas sobre-simplificados a que o inefável recorre, mostra o carácter pouco democrático e pré-moderno deste ideário, aqui levado à sua expressão mais radical, machista e reaccionária. Para além do profundo mau gosto das comparações, que contudo traz a marca do nosso tempo, este discurso fácil e ready to eat não deixa de recorrer às metáforas mais simplistas para argumentar uma posição...Do género, como se fossemos todos criancinhas do ensino básico. Se o bébé é um caroço, as mulheres são a laranja? É o paradigma Zézinho (para quem não se lembra, a representação sobre crescida do embrião) do discurso...não admira, a fonte é a mesma. Para o inefável, fica a notícia fechou a petição pelo referendo...recolheram-se as assinaturas necessárias. A tod@s as pessoas que organizaram a iniciativa e a tod@s as que assinaram ou queriam assinar, os meus sinceros parabéns...

quarta-feira, janeiro 28, 2004

No title?

Pour j...! je t'embrace Nan Goldin

Eros e Psiquê?

Canova "Eros e Psiquê" Para um amigo psicólogo...a história da borboleta

No title?

Las dos Fridas (Frida Kahlo) 1939... in http://www.fridakahlo.it/

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Considerações de epistemologia?

Em resposta ao post do Drocas no Meu Olhar 25/1 O teu post lembra-me duas polémicas: Sokal versus pós-modernismo/pós-estruturalismo e a recente polémica (a meu ver completamente espatafurdia) entre o Boaventura de Sousa Santos e um senhor que não me recordo do nome, que contesta as posições. Essencialmente as teses de Sokal & Bricmont (1997) consistiam na denúncia do pós-modernismo e do so-called construcionismo social (existem diferenças entre todas estas abordagens) como imposturas intelectuais, contestando nomeadamente o uso político dos resultados ditos científicos. O tal senhor que critica o BSS usa precisamente o mesmo argumentário. Na ciência como empreendimento colectivo existem várias perspectivas e nunca uma perspectiva única. Ora à luz desse pressuposto, já me parece mais temerária a ideia de que “se desconsidere informação científica”...como evidencia Thomas Kuhn, a própria prática científica é uma prática comunitária e as comunidades mudam de opiniões e de práticas ao longo do tempo. Por isso, o que é ciência num paradigma normal, pode deixar de o ser num outro paradigma normal de ciência ou numa fase de ciência revolucionária . Aliás, os Social Studies of Science ilustram bem o carácter relativo das práticas e até do funcionamento dos laboratórios, por exemplo da biologia molecular (v.g. a etnografia de Karin Knorr-Cetina) e da endocrinologia (Latour, 1978). Ora assumindo aqui como pressuposto uma epistemologia de base não positivista, podemos garantir que os resultados da pesquisa científica são conjecturas, que podem ser refutados rapidamente. Pois, aqui assumimos uma epistemologia que bebeu no construcionismo (designação pouco consensual, desde já) alguns dos seus pressupostos de base e é com esse pressupostos em mente, que escrevo este post (espero que sem erros). A dessacralização da ciência como empreendimento e a crítica aos fundamentos iluminista começou cedo. Tomemos o exemplo de Nietszche e o modo como este usa o conceito de genealogia para substituir a ideia de história. Que Foucault recupera mais tarde para criar a sua arqueologia do saber. Ora, esta dessacralização da ciência como religião, patente na herança comtiana, é pois necessária para esta discussão. Quando se afirma: “Eu não defendo a interpretação política de evidências científicas. Penso que esse uso é problemático. Mas se o construcionismo social pretende chamar a atenção para esse fenómeno, quanto a mim fá-lo da pior maneira possível. Para além de desconsiderar informação científica (defendendo a construção social de tudo o que existe) utiliza os seus dados e dos dados científicos para intervir politicamente.”, apela-se a uma imagem da ciência assente numa neutralidade que ela nunca teve. Nomeadamente ao tomar como sujeito o ser humano (relembro-me das epistemologias propostas pelo Círculo Tartu-Moscovo e a distinção entre compreender e explicar em Bakhtin). É necessário lembrar que fazia parte da ciência, o projecto de curar os homossexuais, com as terapias comportamentalistas? Ou que se passou meio século, a medir o cérebro das mulheres para legitimar a superioridade intelectual dos homens? Como se depreende, a ciência estava a fazer política, quer estivesse consciente disso, ou não. Por isso o pressuposto da neutralidade e da isenção de valores está violado desde o ínicio (herdados do Iluminismo e do positivismo de Comte, mais tarde reforçado pelo positivismo lógico do círculo de Viena). Voltando a Sandra Harding, que menciono num post anterior, este aparente a-politização da ciência trai o pressuposto da própria neutralidade: como considerar neutro o que não o é, desde o princípio? Daí na sua proposta epistemológica, a autora referir-se a objectividade forte e fraca. Na versão positivista, estamos perante uma objectividade fraca, por descontar, do tal controlo e assepsia experimentais, a ideia da análise das condições de produção da ciência. Porque ela também está presente na construção dos “factos” científicos. No que concerne ao critério de prova na investigação científica, ele assente essencialmente no uso de testagem estatística. Ora, como sabes, a testagem estatística assenta numa convenção assumida entre cientistas, para encontrar um nível de significância aceitável para evitar um erro tipo I (aceitar a hipótese nula quando ela é falsa). Esquecendo muitas vezes (apesar de hoje em dia se começar a fazer), o erro tipo II (rejeitar hipótese nula, quando ela é verdadeira)...Até porque quando baixa a probabilidade de ocorrer um tipo de erro, aumenta a probabilidade de ocorrer o outro. Por isso, e até com base no funcionamento dos critérios de evidência científica e na própria natureza probabilística da ciência, é necessário assumir um certo cuidado nas afirmações sobre a ciência. Acho curiosa e assinalo a expressão androcêntrica Homem no teu post. É que essa não é de modo nenhum uma expressão politicamente neutra e ausente de significado. Bem pelo contrário. Para além disso, acho peculiar o uso da expressão género. E neste contexto, dúbio por usar género no mesmo sentido de sexo: “o comportamento homossexual poderá ter reforçado as alianças do mesmo género, que contribuíram directamente para a sobrevivência e indirectamente para a reprodução”. Neste caso, estás a falar de sexo e não de género. O género é independente da biologia, consiste precisamente na critério histórico-sociológico da construção social do sexo. Que só pode e deve cair fora da análise biológica. Como afirmas e muito bem, não é o papel da biologia produzir significados. Mas acaba por fazê-lo. Pensemos no caso do espermatozóide e do óvulo e da forma como essa imagética justifica o mito de que as mulheres são mais passivas e os homens mais activos e viris. Ou no efeito, no âmbito dos discursos pró-vida, das imagens publicadas na revista Life, das ecografias feitas a um embrião. Ou seja, as pesquisas têm implicações políticas, mas @s cientistas não lidam com essa dimensão. Mas ela continua presente. Não contestei a importância da biologia, mas não a aceito como critério único e supra societal. Aceito a ideia de interacção, mas escolho como foco analítico o pólo social. Aliás falar desta separação é artificial, até. Fi-lo, for the sake of the argument. Prefiro falar em híbridos, como o Latour, objectos nascidos com a modernidade, que resistem a esse tipo de separações ontológicas...social/natural, biológico/histórico...that's more like it. Um problema nestas lógicas cientificistas é o recurso constante às ontologias platónicas como esquema de raciocínio e a crença na existência de uma realidade essência, que por via da ciência, tenderá a ser descoberta. Contudo, epistemologicamente, persiste-se no domínio da crença e da hipótese, que desde Newton, não podem ter lugar na verdadeira ciência...leia-se positivismo. É esse o meu problema com as teses diferencialistas e essencialistas. Persistem num domínio de crença numa essência e fazem dela lei nos seus entendimentos supostamente belief-free, traindo-se epistemologicamente. Quanto à lógica da descoberta...esta consiste em trazer algo de novo, enquanto que a lógica positivista consiste em demonstrar o que já lá está e extrair leis que regulam o funcionamento do mundo...Por isso muitos positivistas abandonaram esse discurso! Pela sua falta de consistência epistemológica. Tal como afirmar que a busca das origens e os determinismos são funções da ciência. Há ciência fora do paradigma positivista e que se recusa a cair no excesso de confiança de estabelecer nexos de causalidade e procurar “origens”...O reforço com autoridades como Platão, no caso dos homossexuais na Grécia (como outros exemplos no discurso deste post), ilustram também bem o privilégio epistémico que determinadas ciências/filosofias da ciência se arrogam sobre as outras. Repego na questão da pederastia grega, descrita como uma relação de homens mais velhos com efebos de tenra idade. Eventualmente nas categorias de hoje, poderia cair na pedofilia, e não na homossexualidade. E que quer dizer homossexualidade exclusiva? Já agora? Mais uma vez, me parece existir uma confusão conceptual entre comportamentos e identidades. Já no que toca aos autores mencionados, estranho o esforço de conciliação entre perspectivas essencialistas e construcionistas. Até porque os pressupostos epistemológicos de base são irreconciliáveis. Mas acredito (permito-me entrar no domínio da crença, dada a minha identidade externamente atribuída de construcionista!) que estes debates possam ser estimulantes, apesar de discordar de que os blogs são meios apropriados para o fazer. Para falar de ciência, temos os fora habituais, com peer-reviewing e controlo da qualidade da pesquisa e da proposta teórica. Mas continuemos. Digo e continuo a dizer que a homossexualidade é uma construção social, ainda que eventualmente existam alguns critérios de base biológica, o que não retira o estatuto de construção social. Pois não se fez uma separação essencialista entre social e biológico. O que se disse foi que o biológico é trabalhado pelo social. Não se tocou em origens ou causas...isso é mais uma lógica determinista. O apelo aos usos da política final parece-me trair a lógica que descreves como lógica da ciência: ” É na partilha e na integração do trabalho de todos que podemos fazer mais por todos nós.” Afinal parece que agora a investigação já pode informar a política e vice-versa. Afinal já podemos fazer mais por todos nós. Obrigado pelo teu post. Também acho que podemos dialogar e acredito na tua mensagem final...mas eu sou construcionista(!?!?!) e posso fazê-lo! É porreiro debater ciência, às...what?!?!? cinco da manhã...off to bed! P.S.: Porque assumes que sou uma mulher?

Atenção?

Advertem-se os navegadores da existência de erros ortográficos neste blog, para os quais fui devidamente alertado. Pedem-se desculpas e aceitam-se as responsabilidades. Vou deixá-los ficar, os que já estão, até porque acho que reflectem o imediatismo do medium e a rapidez com que se faz um post de resposta a uma polémica, que habitualmente nem são relidos. Tentarei evitar num futuro próximo. So sorry

domingo, janeiro 25, 2004

O debate em torno das identidades queer?

Bem, aproveito este post para responder aos suculentos comentários do Boss e do Drocas deixados em resposta ao meu post "A divinização da natureza", em que critiquei os usos das categorias natural/biológico/génetico no debate sobre as causas (oh linguagem positivista) da homossexualidade. Abro com uma espécie de preâmbulo e depois respondo a casa um dos dois. Saúdo a iniciativa do Boss (eu estou sempre a saudar as tuas iniciativas) e agradeço aos dois terem respondido. E à Anabela (Olá!), essa muito mais próxima da posição que defendo, por ter dado início a esta polémica. Depois dos agradecimentos, a resposta. Quero salientar duas coisas, a primeira é que não considero plausível uma teoria de causa única para a existência de identidades homosssexuais. A segunda é que temos que fazer uma destrinça entre comportamentos e identidades. É que não podemos considerar iguais por exemplo, comportamentos homossexuais continuados e até institucionalizados numa relação a dois a comportamentos sexuais temporários e que muitas vezes resultam de outras lógicas. A homossexualidade como parte integrante da identidade é o que irei discutir por aqui. O argumento do Boss é essencialmente o argumento político, de ataque às posições homofóbicas sobre todas as frentes. O que acho louvável. Contudo acho que exite o risco de cair em terrenos arenosos com investigação de dúbia qualidade, como é o célebre caso da pesquisa sobre o gene gay, em que se utilizaram cadáveres de homens supostamente homossexuais, permite dar lugar a uma contra-ofensiva no plano metodológico, que me parece até pôr em causa, a própria causa e a necessidade de legitimação das escolhas sexuais dos investigadores. Esse tipo de investigação coloca-me também problemas de ordem epistemológica: como se define o ser (logo, a identidade) homossexual (incluo aqui as lésbicas também)? Como considerar que A ou B é homossexual? Qual a razão para se procurar o gene gay e não o gene straight? ou serão o mesmo gene? Enfim, aqui o problema será do ponto de vista da definição categorial. E essa definição parece-me ser sempre feita de modo essencialista, considerando a existência de uma natureza homo diferente da natureza straight. E porquê? As identidades constroem-se, alteram-se, mudam-se. Os significados associados a elas mudam ao longo da história e das culturas. Será que ser gay no século XX tem algo a ver com o pederasta grego? Será que ser um gay branco, de classe média, homem tem algo a ver com uma lésbica negra, de classe mais baixa, mulher (Salvé Bell Hooks e o Black Feminism e a nossa avó Sojourner Truth!)? ou com uma chicana? É pois esse carácter processual, histórico, simbólico das identidades que os defensores da biologização não integram na sua reflexão...em suma, a própria escolha de se focarem num plano comportamental é uma escolha política que não é integrada na análise. E a definição da homossexualidade é política. Estamos perante o que Sandra Harding chama de objectividade fraca, em que as decisões políticas do investigador e as condições de produção (materiais e ideiais da pesquisa) são excluídas da análise. Quanto à separação ténue entre humano e animal, o meu argumento continua a ser o mesmo. O plano das produções simbólicas e materiais da cultura. Que se saiba não existe pensamento social nos animais, nem uma organização societal como a humana. Não há Estado, não há legislação, não há cidades, não há tecnologias, não há ideologias...E isso causa diferenças enormes, a meu ver. É que o ser humano não é meramente indíviduo, explicado pela filogénese. Um abismo de diferenças separa-nos. Quanto ao comentário do Drocas, vejo que ele advoga a tese evolucionista. Em relação à qual sou radicalmente contra. Explicar as comunidades humanas com recurso a essa tese, deu origem a uma série de legitimações pseudo-científicas para a manutenção das diferenças, por exemplo, entre homens e mulheres (contexto em que navego mais à vontade). Vejam-se as hipóteses das Sociobiologia, por exemplo. Os investigadores produziram uma série de pesquisas sobre o comportamento sexual dos humanos, assentes quer em exemplos dos mamíferos superiores, quer em suposições face à pré-História, aplicando o paradigma homem-caçador, mulher-doméstica às sociedades contemporanêas. O que acabaram por fazer (pessoas como Desmond Morris, por exemplo), foi permitirem usar uma argumentação (devidamente explorada pelos movimentos backlash) que legitima o patriarcado, colocando-o fora da história, com uma investigação que ignora a dimensão da história do género e aplica as considerações biológicas, sem as incluir numa dimensão que permita a mudança. Agora deixo a pergunta: como mudar a sociedade com os argumentos da biologia e da natureza? Como explicar os movimentos feministas e os movimentos queer nessa lógica? Permite o evolucionismo uma mudança que não seja do domínio da filogénese e da ontogénese? E resiste aos recontros com a comparação inter-cultural? Esta minha crítica estende-se não ao Drocas, que me parece estar interessado em dialogar, mas à perspectiva sócio-biológica, que explica as sociedades humanas, empregando o reducionismo biológico. Eventualmente seria mais interessante manter posturas de debate do que persistir no estéril debate nurture versus nature. Eventualmente seria interessante perceber como as sociedades usam os dados biológicos e os retrabalham, tendo investigação mais séria e menos eivada de problemas metodológicos, sobre quais são de facto esses dados biológicos. Continue-se o debate.

Petição pela manutenção da criminalização do aborto-a reacção d@s reaccionári@s?

O conceito de backlash surge na obra de Susan Faludi e refere-se a um movimento não organizado de reacção ao feminismo, que se instala na administração Reagan e Bush Pai, e com o intuito de minar as iniciativas e conquistas do movimentos sociais dos anos 60 e 70, nomeadamente o movimento feminista e o queer. Exemplos do backlash são os movimentos masculinistas (com Robert Bly à cabeça e o desprezível "Iron John"), os movimentos familialistas e o so-called Movimento Pró-Vida. Pois claro, que é deste último que vou falar. Hoje no Público, o so-called movimento Mais Vida, Mais Família, resolve a reboque da petição pela despenalização lançar uma contra-petição que se insurge contra a possibilidade de referendar a "vida humana". Dizem representar as convicções mais profundas do povo português (eventualmente do grupo que anseia pelo regresso do D. Sebastião e do Salazar, chegado da tumba). Ora bem, é este tipo de iniciativas que podemos catalogar como reacções backlash. Este tipo de pensamento começa por estabelecer discursivamente uma hegemonia de consensos, usando as perólas das convicções dos portugueses e passo a citar a notícia de autoria de Isabel Leiria: "No abaixo-assinado que, a partir de hoje, irá circular por todo o país, o movimento "Mais Vida Mais Família" considera estar a "interpretar as mais profundas e genuínas convicções do povo português, expressas recentemente em referendo". De resto, sustentou Isabel Carmo Pedro, apresentada como "bióloga e mãe de família", para este grupo de cidadãos a consulta popular nem sequer deveria ocorrer, na medida em que a "a vida humana não é referendável"." 1. Projectar o consenso: Falar em nome do povo português (outra discussão e uma investigação interessante seria o que é associado neste movimento ao povo português), com os adjectivos "profundas" e "genuínas", garantindo assim a veracidade das propostas e a sua representatividade... 2. Saliência de categorias relevantes para o debate e apresentar fontes credíveis: a bióloga e mãe de família (sic). A garantia científica e a relevância funcional no contexto familiar são evidência da credibilidade desta porta-voz. 3. Apelo a factos políticos recentes que comprovam a projecção de consenso: os usos do referendo (como se 68% de abstenção nem sequer tivessem existido) 4. Apelo a valores incontestáveis: o uso da vida como conceito fundamental (que volto a frisar, vida que nunca é equacionada com a vida das mulheres, apenas com o embrião/zigoto/mórula, que é sempre associado a feto que tem que ser personalizado) 5. Rejeição e obliteração das propostas do outro movimento Com estes 5 passos discursivos, legitima-se pois mais um movimento de cidadãos - supostamente sem qualquer instituição religiosa por detrás - inscritos nos movimentos pró-vida, que usam a estratégia de multiplicação e diversidade para melhor atingirem vários públicos-alvos (evitando a estratégia mono-movimento que a esquerda e as ONG's pela descriminalização se esforçaram por apresentar, no referendo de 98). Ao que parece, esta estratégia consegui-lhes mais uns 2% no referendo anterior. É claro que esta iniciativa reactiva, tem que ser lida à luz do backlash anti-feminista, dada a maneira como se opõe aos direitos reprodutivos e como ancora no conceito patriarcal de família tradicional, em que, em vez de um projecto comum de indíviduos autónomos, temos uma unidade funcional e fusional constítuida por obrigação. Profundamente reaccionários, estes movimentos iludem a realidade polimorfa das famílias da modernidade, usando velhas categorias para aprisionarem a realidade actual e fazerem crer que todo o país é contra a autonomia reprodutiva e sexual e o aborto. E nem sequer falam dos recentes julgamentos em que uma série de mulheres enfrentam um tribunal, porque a PJ quis cumprir a lei à risca. Como podem estes movimentos encarar estas mulheres? Vêem-nas como criminosas ou como vítimas de uma lei que tanto defenderam? E como dormem de consciência tranquila? Com muitos filhos à volta e muito dinheiro para os educar...pensando que este Portugal é o mesmo de há 30 anos atrás e que tinhamos esse grande pai de família que nos educava e nos mantinha pobrezinhos, mas contentinhos...O que propõem estes movimentos, é uma moral disfarçada de ética, é reduzir a diversidade à homogeneidade da família burguesa, saudável, branca, portuguesa, heterossexual, moralista...à custa da autodeterminação das mulheres, que passam de vítimas a culpadas, por justamente não quererem ou não poderem exercer a função maternal (essas celeradas que se recusam a cumprir a função da sua própria existência!)! Sob os auspícios da Santa Madre Igreja, que nem permite às mulheres exercerem qualquer forma de autoridade....Tomem vergonha!

Inauguração do Centro de Sondagens Pagan Days?

Acabo de inaugurar este centro de sondagens...cortei a fita e tratei de tudo sózinho... Sinto-me como uma universidade privada...até tenho um centro de sondagens e tudo. C'est trop chic... A 1ª questão que trago à vossa consideração é se a homofobia e o sexismo podem ser curados. Isto em resposta à notícia que o post de hoje da Sara no Cacaoccino relata...Conto com e agradeço a vossa participação. Ainda não me decidi por quanto tempo deixo isto, logo se verá...Penso que por um mês. So, the Oscar goes to....

sábado, janeiro 24, 2004

Kevin Blechdom hoje na ZDB?

Hoje, 23h, concerto da Kevin Blechdom na Zé dos Bois...conto estar lá... Não tenho bilhetes ainda...só dei pela Kevin ontem no Y. Esta artista, que usa nome de homem, tem algumas semelhanças com a Peaches, mas é mais influenciada pela electrónica americana mais independente, género Matmos. O album bitches without britches é muito interessante. Experimentem o tema "use your heart as a telephone" ou a nova versão de "private dancer"...Muito, muito cool... Acho muito boa onda estas aparições na scene electrónica...Mulheres completamente corrosivas, cheias de consciência (pós)feminista que reinvindicam uma sexualidade livre, sem necessidade de grandes sentimentalices (Veja-se o paradigma Peaches)...não que a sexualidade sem sentimentos seja melhor ou pior...mas é tão legítima como qualquer outra. E estas meninas, juntamente com as Chicks on speed e quejandas. É que o sexo sem sentimentos não é só para os homens. Para além disso, por exemplo no caso Peaches, não há distinções entre os sexos na escolha dos parceiros. Falo em termos das letras dela. Da vida da menina não sei, nem me interessa. O que é relevante é aparecer na scene, uma série de conteúdos que apelam a sexualidades não hegemónicas, performances de género radicais e mesmo problematizadoras do próprio género...relembrando a Judith Butler. O mais interessante é ver a forma como estas compositoras/cantoras alteram os significados das letras e reinventam-nos...reabilitando por exemplo, a bitch/slut identity...muito, muito cool. Nada de moralismos, nada de preconceitos...tudo pode ser possível...

Sábados...A XIS!!!! Nããããão?

O sábado é o meu dia preferido da semana. Nasci num sábado e acho um dia fabuloso...Até que o Público começou a trazer a XIS. Sendo o Público o meu jornal diário, esperava na edição de sábado um suplemento decente. Bem sei que a Pública só sai aos domingos e que ao sábado temos o Mil Folhas. Mais a XIS...habitualmente deito-a fora de imediato, porque nem na casa de banho gosto de a ler. Oh revista completamente zombie. Recolhi algumas perólas da XIS de hoje. Grande chamada de capa: "O OLHAR dos outros pode condicionar mas pode também salvar" (é brilhante). Ainda na capa: "Quanto maior a nossa liberdade interior maior é a nossa capacidade de sermos quem somos" (why, oh why?). Pág 1 : Laurinda Alves (não comento nada sobre esta senhora): "Tudo é relativo". Mais à frente, um jesuíta "Ás vezes precisamos do olhar dos outros". Depois um psicólogo e o título "Para os pais que não são heróis". Mais à frente: "Porque precisamos tanto do chocolate?"...As afirmações falam por si...Isto é tão relevante como a sexualidade das baratas do Idaho. Porque é o Público traz esta coisa agarrada? De cliché em cliché, a verborreia habitual maçadora, anódina e enjoada, variando entre o manual de auto-ajuda (can someone help these people?) e a moda, esta revista é a minha cruz ao sábado. Como sou uma pessoa relativamente distraída (well, bastante), esqueço-me sempre que ao sábado lá vem esta coisa no meu jornal. Quando descubro a revista, mudo de expressão. Assumo o meu semblante mais carregado e lanço olhares de fúria, enquanto pago o jornal. Obviamente que a loja não tem qualquer responsabilidade...mas nunca me consigo conter. Não podia vir num jornal daqueles que eu nunca leio? Sei lá, um Correio da Manhã, um Euronotícias, um 24 Horas...não, tinha que vir com o Público. Acabo por deitá-la fora logo, às vezes, sem sequer olhar para a capa (sempre na mesma linha temática). Vendam-na de forma independente e tornar-se-à uma revista género Psychology Today à portuguesa, pretenciosa, pop-psicológica e tremendamente aborrecida... que alguns (não me atrevo a falar em maiorias) leitores do Público nem olhariam, quando exibida nos escaparates. Nada como olhar para Xis e ficar de mau-humor no meu dia preferido da semana...blargh :p

A divinização da natureza?

Comentei os comentários (perdoem a redundância) e o post do Queer Blog de hoje, sobre a questão dos usos da natureza no debate sobre a homossexualidade, nomeadamente no plano da legitimidade da orientação sexual. Como reflecte a Anabela, o recurso (político) à lógica do natural/artificial para falar da homossexualidade, tem sido uma forma (política) de legitimar a ideia (recente) de que a homossexualidade não é um acto contra-natura, como postulado numa série de ideologias e religiões. Contudo, o recurso (político) a essa base natural/biológica da homossexualidade usa a mesma lógica operatória desse discurso que se pretende descontruir: o que é natural é bom, o que não é natural é mau. Que importa para a homossexualidade humana, que as baratas do Idaho se divirtam em animadas cópulas com baratas do mesmo sexo? Que relevância tem que os babuínos macho copulem entre si? Nas sexualidades humanas, intervêem construções de outra ordem, estão em questão modus vivendi, performances, esferas públicas e privadas, direitos e deveres, hierarquias, classes, sexos and so on...que mesmo que existam nas sociedades animais, não existirão da mesma forma para um grupo de seres, com Estados, fronteiras, casas, ruas, enfim toda a panóplia de artefactos culturais e discursivos que nos separam da restante fauna. Ora, o que as ciências sociais começaram por demonstrar foi a oposição natureza-cultura, nomeadamente Levi-Strauss e o estruturalismo, evidenciando que mesmo aqueles humanos considerados como primitivos se enquadravam numa lógica oposicional à natureza. Como se o humano estivesse fora da mesma. E mesmo se a natureza e o biológico influem, essa influência é mediada pelo social. Como se o social baralhasse as cartas que o natural lhe dá, retrabalhando-as. Veja-se por exemplo o processo de incorporação do habitus na teoria de Bourdieu. O corpo internaliza o social, incorporando-o. No caso do género, as mulheres internalizam a submissão em toda uma série de posturas corporais, nas sociedades patriarcais. Contudo, isto não é dizer que o natural não existe. É afirmar que o natural é utilizado pelo social e que essa utilização e apropriação é tal forma estruturante, que o natural objectivo perde a sua relevância enquanto categoria analítica e enquanto produtor de significados. Pois esse é o papel da cultura, atribuir e construir significados (símbolos), muitas vezes sobre o biológico. Como é o caso dos sexos, que são completamente vazios sem o género. Um exemplo será o amor maternal, que Badinter, provou e voltou a provar que é uma construção social que usa a legitimação do que é natural, para disfarçar a sua formação natural e incluí-la na lógica da natureza, do imutável do eterno. Como também evidencia Guillaumin, a associação dos dominados com a natureza é uma forma de naturalizar a relação de dominação e de a tornar eterna. Daí o carácter político, da maneira como determinados grupos usam a natureza como sinómino do bom (excluindo pois a homossexualidade, que para eles é contra-natura) ou associando-a a determinados grupos dominados que são necessário à manutenção do capitalismo, por via da reprodução e cuidado com a mão de obra futura -os filhos. Claro, que falo das mulheres. Mesmo o ser mulher (ou ser homem) não é natural como diria Simone de Beauvoir, em 1949: "Ninguém nasce mulher. Torna-se mulher" ou em francês "On ne naît pas femme, on le devient". Uma das mais fortes denúncias do Segundo Sexo é a biologização das mulheres e a explicação do seu comportamento assente em lógicas instintivas, remetendo para as urtigas, as lógicas estruturais e sociológicas, aplicadas exclusivamente aos homens, como no caso de Durkheim, que chega a trair o modelo explicativo da sua sociologia nascente, para explicar pelo instinto, o comportamento feminino. Ora no caso da homossexualidade passa-se o mesmo. Assumir como explicação o biológico, implica primeiro uma imutabilidade. E como sabemos, em culturas diferentes, temos diferentes padrões relacionais. Para além disso, o que significa ser homossexual? É alguém que tem relações sexuais com pessoas do mesmo sexo? É alguém que quer passar a vida com uma pessoa do mesmo sexo? E quanto tempo de sexo com pessoas do mesmo sexo é preciso para considerar essas pessoa como homossexual? E se essa pessoa já tiver tido relações com alguém de sexo diferente? Dizer que a homossexualidade é anti-natural, é dizer que a heterossexualidade também o é. Dizer que é natural, a mesma coisa. A homossexualidade é uma construção social, e se tem realidade fora dessa construção social, qual é ela? Mesmo que exista, qual é a sua relevância? E será semelhante à dos animais? As teses evolucionistas deveriam propor que a homossexualidade está condenada, porque inibe a continuidade da espécie. Por via da selecção natural o número de gays e lésbicas deveria diminuir, porque supostamente estariam desadaptados para procriar. A separação entre homossexualidade e construção social é ilusória, porque a homossexualidade comportamental, a existir, seria vazia de significados, de símbolos e estritamente comportamental, não identitária. Mesmo nos casos de indíviduos que têm comportamentos sexuais ditos homossexuais e rejeitam essa identidade. É por via dessa construção social, que a homossexualidade adquire significados. Enquanto recorrermos à divinização da biologia como mecanismo de ocultação do social, estaremos a perpetuar a nossa condição dominada. Assumir políticamente uma identidade implica questionar estes pressupostos e reinvindicar um lugar, um espaço. Para que não nos voltem a queimar, apedrejar ou torturar... Daí a importância do social e do político na construção identitária, pois eles norteam toda a actividade humana, na atribuição de significados. As identidades queer são maneiras de operar com o mundo...e estão ímbuidas de políticas no modo como nos apresentamos ao mundo. Parece-me muito mais fundamental reivindicar direitos assente numa identidade cultural e histórica, do que usar a lógica biológica, para nos apresentar como uma inevitabilidade da natureza, como as baratas do Idaho e os babuínos...

sexta-feira, janeiro 23, 2004

And now for something completely different?

Tenho tendência a fazer posts sobre assuntos que me entristecem ou que me indignam...hoje pensei em algo diferente...Deixo-vos com a letra de uma canção da Marisa Monte que me tem encantado...mesmo que pareça triste. Mas nunca ninguém disse que as coisas tristes não são bonitas... Happy...Pagan De mais ninguém Se ela me deixou, a dor é minha só, não e de mais ninguém. Aos outros eu devolvo a dó, Eu tenho a minha dor. Se ela preferiu ficar sozinha, ou já tem um outro bem. Se ela me deixou a dor é minha, a dor é de quem tem. É meu troféu, é o que restou, é o que me aquece sem me dar calor. Se eu não tenho o meu amor, eu tenho a minha dor. A sala, o quarto, a casa está vazia, a cozinha, o corredor. Se nos meus braços ela não se aninha, a dor é minha. É o meu lençol, é o cobertor, é o que me aquece sem me dar calor. Se eu não tenho o meu amor eu tenho a minha dor. Se eu percebesse mais de internet até punha a música para vocês ouvirem. E sim, é a música que aparece no "Blue in the face", com o Harvey Keitel, no seu fabuloso Auggie da tabacaria de Brooklin. Have a nice strike day!

quinta-feira, janeiro 22, 2004

HOMOFOBIA!?

Estava eu a dar umas voltas pelos blogs do pessoal e dou com um post no blog Casal Gay sobre um site homofóbico, site ao qual não quero linkar, porque não quero porcarias ligadas ao meu blog. Neste rizoma que vou criando e recriando aos poucos, não quero cá homofóbicos/as. Até senti necessidade de comentar. É impressionante a falta de lógica e de democracia destas pseudo religiões que traem os princípios do tal amor divino (Lamento, mas daqui tecla uma pessoa ateia) proclamado nos Evangelhos, mas acompanhado pelas Cartas dos apóstolos que contradizem todo o espírito dessa tolerância. Mulheres, gays e semelhantes desordens são excluídos ou subordinados. Como não aceito nada que me exclui, acabo por ter que assumir o meu ateísmo. E se entrarmos no Velho Testamento, até apedrejamentos nos esperam. Mas esse site que o Casal Gay menciona, merecia um hacker que lhes estragasse aquela treta toda. E um aviso para os internautas não passassem por lá.´Como existe nos sites porno. É que é ofensivo para a dignidade de qualquer ser humano passar num antro daqueles, cheios de afirmações agressivas e mal informadas. Por dogmatismo, estupidez, ignorância e até inveja. É que muitos LGBT (infelizmente não todos) já podem assumir as suas sexualidades e ter uma vida. Antes ou nos queimavam vivos, ou nos torturavam, ou existiamos na invisibilidade total. Agora já não o podem fazer (na maioria das sociedades ocidentais). Por isso, também existem aí uma série de sentimentos de revanche, por não nos terem debaixo da PATA, oprimidos e calados, a suportar o heterocentrismo constante. Hoje já há pessoas que não se sujeitam a este tipo de situações e que não suportam estas instituições caridosas que até nos querem curar. Proclamam até que a Psicologia não é ciência, por se recusar a curar os lgbt. Mas curar do quê? Só da vossa homofobia cheia de teias de aranha de séculos de opressão sobre nós. Get Help! Talvez um@ psicólog@... E deixem-nos em paz de uma vez por todas...TERRORISTAS! Para além disso não venham com o argumento que em democracia todas as opiniões são válidas. É que ser LGBT não incomoda objectivamente ninguém...a pessoa vive a sua vida e that's it! Ser homofóbico/a e exprimir na esfera pública essas opiniões intolerantes, não nos deixa a nós, LGBT, o direito de viver sem ser incomodados com expressões de intolerância e de exclusão. Ou até de permanecer vivos, como mostram os casos de homícidios de LGBT, apenas pelo simples facto de o serem...Wake up! Deixem de ser zombies lobotomizados!

quarta-feira, janeiro 21, 2004

A escolha?

Pegando no comment da Anabela, em que mencionava and I quote "que ninguém deste país falava da livre escolha", vi logo que tinha material para um post. Neste país de católicas tradições, onde a esmagadora maioria das pessoas é católic@ by default, mesmo sem frequentar a Igreja, a missa e os círculos clericais, as livres escolhas são sempre muito mal encaradas. Mesmo que ainda possamos ir à teologia medieval e encontrar o argumento do livre-arbítrio em Agostinho de Hipona, que inspirou os homens do Iluminismo (sim, os homens, porque as mulheres à época tinham muito pouco ou nenhum acesso à esfera pública) e da Revolução Americana e Francesa a definirem a escolha, a capacidade de decidir livremente como um dos fundamentos da democracia moderna. Obviamente como o modelo de cidadão era inteiramente sexuado, as escolhas eram destinadas aos homens. Às mulheres, cabia-lhes a permanência na tradição pré-moderna, na lógica da Fé e da obrigação. É nesta altura, que se forja a alteridade das mulheres e os dois modelos de corpo, como mostra Laqueur. Esta ruptura política entre a universalidade do direito de cidade e a universalidade da diferença sexual, que culmina na total exclusão das mulheres (ver Joan Scott (1998). La citoyenne paradoxale. Paris: Não sei editora de cor, sorry) dos direitos políticos e sociais, é pois, um dos paradoxos que atravessa a modernidade. Em Portugal, exceptuando o período da 1ª República (que negou às mulheres o direito ao voto, alegando o risco do voto por influência religiosa) e até ao 25 de Abril, as mulheres estiveram excluídas de uma série de direitos sociais e políticos. E excluídas da esfera pública. Com a Constituição democrática, consagram-se no plano formal uma série de direitos. Contudo no processo legislativo, a questão do aborto remetia as mulheres para a lógica pré-moderna outra vez. Sacaneando a laicidade, até 1984, o aborto era proibido. A partir desta data, surgem as excepções à lei, que nunca englobam a escolha. É sempre necessário um médico que autorize aquela senhora a dispôr da sua autonomia reprodutiva. Portugal entretanto vai ratificando uma série de convenções, nomeadamente a Conferência de Pequim, que proclama os direitos reprodutivos, mas mantendo um silêncio incómodo em relação ao aborto. 1998-Referendo e a história que já se conhece; depois os julgamentos da Maia e de Aveiro. 2004-Tudo na mesma. Ou seja 20 anos depois, a lei apenas dilatou os prazos nas excepções possíveis. E 200 e tal anos depois da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (que também excluia as mulheres), continuam as mulheres portuguesas a estarem presas a esta burqa sem poderem decidir. Não falei do corpo. Acho que o argumento da liberdade do corpo restringe o debate. A tónica do corpo é sempre muito forte no caso das mulheres, associando-as à maternidade, aos cuidados com os filhos, ao universo doméstico. O que não é problemático em si mesmo. O que é problemático é se forem reduzidas apenas a isso. Até porque como diz uma amiga minha, as mulheres não são só corpo nem só barriga. Por isso, prefiro o argumento (de Agostinho, mesmo que ele discordasse desta minha veleidade de o aplicar às mulheres, essas pecaminosas) da auto-determinação, do livre arbítrio. Não só do corpo. De tudo (e sem oposições corpo-mente cartesianas). Enquanto não forem reconhecidos e aplicados às mulheres, a auto-determinação em todas as esferas da vida, este projecto democrático mantem o paradoxo que Joan Scott aponta. E até podemos contestar a validade desta democracia enquanto todas e todos as/os cidadã/os não tiverem o mesmo direito à autodeterminação. Que não se verifica no caso do embrião e nem o embrião é cidadão. Por isso, nada de argumentos demagógicos, em torno de uma ideia de vida que só exclui. Porque não admite a autodeterminação de quem tem (se quiser) que carregar o embrião dentro de si. De quem tem que partilhar o sangue, a Razão, os afectos, as emoções com esse embrião. Para além disso, a posição do pensamento marxista em relação ao aborto, que inclui apenas as dificuldades económicas e as mulheres trabalhadoras como alvo do seu pensamento, é a meu ver uma perspectiva de exclusão. Precisamente por assentar na lógica de um fundamento que é o da classe social. E não na livre-escolha. Afinal a quem pertencem a auto-determinação das mulheres? Ao Estado? Aos médicos? Aos padres? Emancipemo-nos tod@s! Escolha, sempre!

Aborto e referendo?

Infelizmente tenho que a dizer que temos que ir a referendo. A aplicação da lei da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) assim o obriga. Isto ainda são frutos do referendo cozinhado pelo PSD e o PS, em 1998. A falta de coragem política e as pressões da ala católica progressista do PS deram neste resultado. Estamos em 2003, a tentar referendar algo que até chegou a passar por um voto na Assembleia. Para além disso, o grande problema não está na lei, está na interpretação sabuja e suja da lei. A sabujice chegou tão longe que tivemos investigações da Polícia Judiciária, que anda efectivamente a desperdiçar dinheiros públicos (Afinal o país não está de tanga? Para perseguir as mulheres já há dinheiro?), como dizia Ana Gomes recentemente. Esta lei também tem um outro problema, não só de aplicação, que consiste no facto de não admitir como excepção, a livre escolha das mulheres (a pedido da mulher) nem os condicionamentos económicos. Exige-se agora referendar esta lei, porque o anterior referendo obteve uma abstenção na ordem dos 68% e constitucionalmente não era vinculativo. A direita e Guterres agarram-se a uma diferença percentual de menos de 2%, para bloquear todo o processo. E tivemos depois a vergonha de ser um dos países da Europa que penalizam o aborto, depois o julgamento da Maia, com a enfermeira Maria do Céu condenada a uma pena "exemplar" e felizmente amnistiada pelo Presidente da República...pena ter sido só agora. Eis-nos em 2003 no julgamento de Aveiro. Depois de mesmo o Bispo do Porto, ter falado a favor da descriminalização. E o Primeiro Ministro dizer que não se opõe. Esta nova lei é uma questão de justiça. Durante a zelosa investigação que dá origem ao julgamento de Aveiro, as implicadas foram sujeitas a exames ginecológicos, que não eram obrigadas fazer. Será que foram informadas? Foram interrogadas e levadas a tribunal. Isto é próprio de um patriarcado fascista, em que o Estado controla directamente os corpos, para evitar quebras de natalidade. Acabe-se de imediato com estes crimes contra as/os cidadãs/os. Por isso é fundamental assinar a petição que dará a possibilidade de referendarmos esta questão, que nunca deveria ser referendada, mas sim passada para a lei pela Assembleia. Mas se é necessário corrigir um erro histórico com outro referendo, que se faça. Já assinaram? Site nos links

terça-feira, janeiro 20, 2004

Kill Bill e as mulheres?

Apesar do debate sobre o carácter feminista/anti-feminista de Kill Bill de Tarantino que tem ocorrido nos EUA(fazer search Kill Bill no motor do site), continuo a achar que o filme tem uma mensagem extremamente positiva para as mulheres e para o seu papel no cinema...Deixo o discurso de Oren Ishii (a fabulosa Luci Liu) que me parece atestá-lo (Joaquim, se não viste o filme, skip this post :) )... As your leader, I encourage you from time to time And always in a respectful manner to question my logic. If you're unconvinced that a particular plan of action, I've decided, is the wisest... tell me so. But allow me to convince you and I promise you right here and now No subject will ever be taboo. Except of course, the subject that was just under discussion. The price you pay for bringing up either my Chinese or American Heritage as a negative, is: … I collect your fucking head! Just like this fucker here. Now, if any of you, son of bitches got anything else to say Now is the fucking time!!! I didn't think so... Uma mulher sino-americana japonesa que diz esta frase no meio de um grupo de japoneses mafiosos que ela lidera, após ter cortado a cabeça a um, por este ter feito referência negativa à sua etnicidade ...num so-called filme de acção, a mim estimula-me! Tirado de www.kill-bill.com

O degrouping; Nada como Teoria Feminista para acordar?

Esta era a resposta a um coment da Anabela Rocha, mas só me deixam escrever 1000 caracteres lá, por isso uso o post... Olá Anabela, Mas que prazer encontrá-la por aqui. Este conceito de degrouping é usado por uma psicóloga social (Erika Apfelbaum) infelizmente esquecida nos manuais e nas revistas da psicologia social mainstream. A Feminism and Psychology dedica-lhe um nº especial vol 9 nº3 de Agosto de 1999. A história dos contributos de Apfelbaum (que até já esteve cá em Portugal) começa com um artigo de 1979. "Relations of domination and movements for liberation: an analysis of power between groups" In Worchel & Austin (Eds.). The social psychology of intergroup relations. Belmont: Wadsworth. Este artigo retrata duas etapas implicadas no setting up da relação de dominação: o grouping, em que os indíviduos são marcados como membro de um grupo e excluídos de outras pertenças eventuais. Numa etapa seguinte, o degrouping que consiste em tornar o grupo dominado num non group (numa eterna alteridade, à Beauvoir), que foge à definição universal de pessoa (a do do Dominante, claro: homem , branco, americano, exemplo da autora). Serve pois para destruir qualquer objectivo do grupo enquanto colectivo, pois na relação de dominação está implícita a ideia de que todos podemos ser como os dominantes. Esta ideologia favorece o tokenism, ou seja, a existência de muito pouco membros de um grupo dominado em posições de dominantes, que acabam por ser tratados como um símbolo de que é possível...o caso das mulheres na política ou na gestão. Uma interpretação feminista seria: ver no tokenism, uma estratégia patriarcal para dar a entender às mulheres que é possível chegarem lá. Com muito esforço e pelo seu mérito próprio...o tokenism é um argumento muito usado para criticar as leis de acção positiva como as quotas. Argumento patriarcal, sublinho. Simultaneamente ocorre o detachment do grupo, no sentido em que os membros do grupo dominado, recorrem a estratégias de demarcação do grupo, mantendo discursos individualistas e de negação das discriminações para manterem uma identidade positiva...é o famoso discurso queen bee das mulheres em posição de poder que dizem que se que elas quisessem, as outras também poderiam ter deixado os tachos e as panelas e chegar a ser por exemplo, ministra das Finanças... (o poder político da análise feminista é...interessante, especialmente na sem vergonhice do discurso político português, em que tudo é dito directamente, sem eufemismos nem preocupações com ferir susceptibilidades de quem legitimamente até pode ter ficado com os tachos e as panelas). No caso lgbt, creio que o fenómeno do degrouping é muito forte...nomeadamente num quadro ideológico em que se misturam valores pré-modernos e modernos. A negação da discriminação, a assimilação dos discursos dominantes, heterocêntricos e androcêntricos, na lógica da emulação normativa, é uma estratégia muito usada para evitar cair nos significados mais penalizantes da pertença ao grupo dominado. Resposta e mudança? uma identidade lgbt/queer politíca como a Anabela muito bem diz no seu blog...de outra forma, só se perpetuam as relações patriarcais de dominação...

The art of Posting e o ser humano máquina?

Ainda não aprendi a postar...escrevo textos que às vezes me parecem demasiado grandes... Tenho que adoptar alguma contenção nos textos... Mas também por uma discordância básica: muita gente acredita que ler mais que seis parágrafos na net é demasiado. Eu não acho, porque subjacente a essa imagem está a imagem do ser humano na psicologia cognitiva...um ser que se cansa fácilmente, que recorre ao processamento automático da informação, uma máquina que infere (Moscovici), input-processing-output. Não somos isso! Relembro-me do George Miller que encontrou a fórmula mágica 7+-2...ou seja a quantidade máxima de itens que podemos guardar em memória situa-se no intervalo entre 5 e 9, daí 7 mais ou menos 2... Ora o facto de pensarmos o ser humano como individual, meramente guiado por drives psicológicas, facilmente cansável, com eternas dissonâncias que o/a fazem entrar em desequilibrio (misturei Festinger e Heider numa solução rápida) e que à miníma coisa fica perturbado/a...consiste em transformar-nos em máquinas! E apesar de me estimular imenso com os cyberfeminismos e a Donna Haraway, que nos apresenta como ficções híbridas (ah o Bruno Latour!!!!) entre organismos e máquinas, superando essas dicotomias, a verdade é que a redução cognitivista à máquina me tende a perturbar... Passamos a ser máquinas de lavar roupa, input de roupa, processamento de roupa, saída de roupa lavada. Apenas maquinaria. Derivado do reducionismo cognitivo, surge pois, uma ideia em relação aos textos na net: devem ser rápidos, concisos, usando de redundâncias, sintéticos...eu não escrevo assim...lamento. Contudo tentarei manter os posts mais softs, sem contudo deixar de me alongar quando necessário...Tomo quem me lê, if someone :), por pessoas e não por máquinas que podem sofrer system overload...

domingo, janeiro 18, 2004

just a song...another...today i'm nostalgic of something I've never had...?

Igual aos deuses me parece quem a teu lado vai sentar-se, quem saboreia a tua voz mais as delícias desse riso. quem me derrete o coração e o faz bater sobre os meus lábios. Assim que vejo esse teu rosto, quebra-se logo a minha voz, seca-me a língua entre os dentes, corre-me um fogo sob a pele, ficam-me surdos os ouvidos e os olhos cegos de repente. Torna-se líquido o meu corpo: transpiro e tremo ao mesmo tempo. Vejo-me verde: mais que a erva. Só por acaso é que não morro. Safo de Lesbos ( in http://www.terravista.pt/Guincho/2482/safo.html) Tradução de David Mourão Ferreira Saudações sáficas...este é um dos poemas de amor mais belos que conheço...

sábado, janeiro 17, 2004

Pagan Origins?

As origens deste log estão numa música da Björk, que gosto mesmo muito...dela e da música... Deixo aqui então as origens deste pagan... pedalling through the dark currents i find an accurate copy a blueprint of the pleasure in me swirling black lilies totally ripe a secret code carved swirling black lilies totally ripe he offers a handshake crooked five fingers they form a pattern yet to be matched swirling black lilies totally ripe on the surface simplicity but the darkest pit in me is pagan poetry pagan poetry swirling black lilies totally ripe .. .. . . ... . . ... ... . .. . .... . ... . .. morse : coded : signals they pulsate : they wake me up from my hibernate on the surface simplicity but the darkest pit in me is pagan poetry pagan poetry i love him this time i'm gonna keep me to myself this time i'm gonna keep my all to myself she loves him but he makes me want to hand myself over she loves him retirado de www.bjork.com/unity

Mulheres artistas?

No suplemento do Público, Mil Folhas, Vanessa Rato dedica uma reportagem à arte no feminino. Curiosa achei a reacção das 4 artistas portuguesas convidadas a tomar posição sobre a matéria, que assumem a posição de que o feminismo (na arte) ou é algo do passado, ou é um sujeito ausente. Excluo a posição da Joana Vasconcelos, que a meu ver, é uma posição híbrida, marcada pela consciência da condição (para usar um conceito que a artista não usa, mas que me leva romanticamente à Simone de Beauvoir...) e que integra no seu próprio trabalho. As restantes artistas utilizam uma expressão marcada pelo obliteração da diferença (que entendo também como construção sociológica, históricamente determinada) e pela demarcação em relação a estas questões. Este discurso de denial, que é característico de uma geração de mulheres, nascidas num quadro democrático de igualdade formal, mas que encontram barreiras objectivas à concretização da igualdade no plano do concreto, alimenta-se do fénomeno do de-grouping. O Degrouping, como mostra Erika Apfelbaum, consiste numa estratégia de demarcação do grupo. Neste caso encontramos nestes depoimentos, uma escolha identitária assente na profissão e na rejeição do próprio grupo. Não quero com isto dizer que seja importante ou até relevante ter uma arte essencialista "feminina" ou "masculina", nem que seja apoiante da politização da arte (como na estética marxista), mas que a rejeição do feminismo me parece excessiva e alimentada por uma série de estereótipos. E que acharia importante ter artistas que também integrassem essa dimensão na sua obra, como vemos por exemplo, na obra de Sophie Calle (cuja fabulosa retrospectiva no Centre Pompidou recomendo vivamente) e noutras mencionadas no texto. Mesmo numa lógica pós-feminista de desconstrução... O panorama continua pois bastante alimentado pela recusa desta problematização e pela polarização introduzida pelas representações negativas do feminismo. ´Quando leio este tipo de reportagens pergunto-me sempre porque não questionam homens também. É que também aqui o prolongamento da confusão entre sexo e género continua. E a estratégia da negação ainda me parece obscurecer mais o debate... Só para saciar o apetite pela arte, deixo-vos aqui uma imagem da "Noiva", de Joana Vasconcelos (ver site da Galeria 111 para mais obras), um candelabro em aço inox e tampões ob...as interpretações deixo a vosso critério... .

sexta-feira, janeiro 16, 2004

Bitch mutant manifesto?

Bitch Mutant Manifesto by VNS Matrix The atomic wind catches your wings and you are propelled backwards into the future, an entity time travelling through the late C20th, a space case, an alien angel maybe, looking down the deep throat of a million catastrophes. screenflash of a millionmillion conscious machines burns brilliant users caught in the static blitz of carrier fire unseeing the download that scribbles on their burntout retinas seize in postreal epileptic bliss eat code and die Sucked in, down through a vortex of banality. You have just missed the twentieth century. You are on the brink of the millenium - which one - what does it matter? It's the cross dissolve that's captivating. The hot contagion of millenia fever fuses retro with futro, catapulting bodies with organs into technotopia . . . where code dictates pleasure and satisfies desire. Pretty pretty applets adorn my throat. I am strings of binary. I am pure artifice. Read only my memories. Upload me into your pornographic imagination. Write me. Identity explodes in multiple morphings and infiltrates the system at root. Unnameable parts of no whole short circuit the code recognition programs flipping surveillance agents into hyperdrive which spew out millions of bits of corrupt data as they seize in fits of schizophrenic panic and trip on terror. So what's the new millenium got to offer the dirty modemless masses? Ubiquitous fresh water? Simulation has its limits. Are the artists of oppressed nations on a parallel agenda? Perhaps it is just natural selection? The net's the parthenogenetic bitch-mutant feral child of big daddy mainframe. She's out of of control, kevin, she's the sociopathic emergent system. Lock up your children, gaffer tape the cunt's mouth and shove a rat up her arse. We're <>verging on the insane and the vandals are swarming. Extend my phenotype, baby, give me some of that hot black javamagic you're always bragging about. (I straddle my modem). The extropians were wrong, there's some things you can't transcend. The pleasure's in the dematerialisation. The devolution of desire. We are the malignant accident which fell into your system while you were sleeping. And when you wake we will terminate your digital delusions, hijacking your impeccable software. Your fingers probe my neural network.The tingling sensation in the tips of your fingers are my synapses responding to your touch. It's not chemistry, it's electric. Stop fingering me. Don't ever stop fingering my suppurating holes, extending my boundary but in cipherspace there are no bounds BUT IN SPIRALSPACE THERE IS NO THEY there is only *us* Trying to flee the binary I enter the chromozone which is not one XXYXXYXXYXXYXXYXXYXXYXXYXXYXXYXXYXXYXXYXX genderfuck me baby resistance is futile entice me splice me map my ABANDONED genome as your project artificially involve me i wanna live forever upload me in yr shiny shiny PVC future SUCK MY CODE Subject X says transcendence lies at the limit of worlds, where now and now, here and elsewhere, text and membrane impact. Where truth evaporates Where nothing is certain There are no maps The limit is NO CARRIER, the sudden shock of no contact, reaching out to touch but the skin is cold... The limit is permission denied, vision doubled, and flesh necrotic. Where truth evaporates Where nothing is certain There are no maps The limit is NO CARRIER, the sudden shock of no contact, reaching out to touch but the skin is cold... The limit is permission denied, vision doubled, and flesh necrotic. Command line error Heavy eyelids fold over my pupils, like curtains of lead. Hot ice kisses my synapses with an (ec)static rush. My system is nervous, neurons screaming - spiralling towards the singularity. Floating in ether, my body implodes. I become the FIRE. Flame me if you dare. © VNS Matrix April 1996

Cyberfeminist Manifesto?

Não, não é o manifesto cyborg da deliciosa Donna Haraway... "I'd rather be a cyborg than a goddess"...sempre! É um manifesto de um grupo de artistas australianas VNS (venus) Matrix que resolveram escrever um manifesto cyberfeminista: • VNS MATRIX • CYBERFEMINIST MANIFESTO FOR THE 21ST CENTURY We are the modern cunt positive anti reason unbounded unleashed unforgiving we see art with our cunt we make art with our cunt we believe in jouissance madness holiness and poetry we are the virus of the new world disorder rupturing the symbolic from within saboteurs of big daddy mainframe the clitoris is a direct line to the matrix VNS MATRIX terminators of the moral codes mercenaries of slime go down on the altar of abjection probing the visceral temple we speak in tongues infiltrating disrupting disseminating corrupting the discourse we are the future cunt Manifesto first declared by VNS Matrix 1991, Adelaide & Sydney, Australia

Feminismos?

Sem sono a horas tardias, e com vontade de postar algo, comecei a olhar para o blog e li a palavra Feminismos (não, não são Femininismos como já vi algumas vezes, são Feminismos mesmo). Esta palavra teve uma origem numa tese de medicina na França do século XIX sobre os efeitos da tuberculose nos homens, um dos quais seria supostamente a sua feminização, nomeadamente ao nível dos caracteres sexuais secundários. E começou a ser usada para designar o movimento sem nome (até à data), surgido na França, de reinvindicação de igualdade de direitos políticos para as mulheres, precisamente para ridicularizar estas desavergonhadas (e seus sequazes homens) que vinham para a rua, atreverem-se a pedir direitos iguais. Numa época em que iluminados como Voltaire afirmavam: "a mulher transporta dentro dela um orgão susceptível de espasmos terríveis, dispondo dela e suscitando na sua imaginação fantasmas de toda a espécie...É do orgão próprio do seu sexo que nascem todas as suas ideias extraordinárias" (citado por Teresa Joaquim (1997). Menina e Moça: a construção social da Feminilidade. Lx: Fim de Século) foi necessário contrapôr uma série de posições de homens como Condorcet, mas também de mulheres como Olympe de Gouges, que na sua Declaration des Droits de la Femme et de la Citoyenne (Paris: Editions Mille et Une Nuits) abre com o artigo: "A mulher nasce livre e igual aos homens nos seus direitos" e "A mulher tem o direito a subir ao cadafalso, também deve ter o direito de subir à tribuna" (trad. minha), ou como Mary Wollstonecraft, ou ainda como a ex-escrava Sojourner Truth, que na Convenção de Akron em 1851 declara: "That man over there says that women need to be helped into carriages, and lifted over ditches, and to have the best place everywhere. Nobody helps me any best place. And ain't I a woman?" Sojourner raised herself to her full height. "Look at me! Look at my arm." She bared her right arm and flexed her powerful muscles. "I have plowed, I have planted and I have gathered into barns. And no man could head me. And ain't I a woman?" "I could work as much, and eat as much as man - when I could get it - and bear the lash as well! And ain't I a woman? I have borne children and seen most of them sold into slavery, and when I cried out with a mother's grief, none but Jesus heard me. And ain't I a woman?" The women in the audience began to cheer wildly. She pointed to another minister. "He talks about this thing in the head. What's that they call it?" "Intellect," whispered a woman nearby. "That's it, honey. What's intellect got to do with women's rights or black folks' rights? If my cup won't hold but a pint and yours holds a quart, wouldn't you be mean not to let me have my little half-measure full?" "That little man in black there! He says women can't have as much rights as men. ‘Cause Christ wasn't a woman. She stood with outstretched arms and eyes of fire. "Where did your Christ come from?" "Where did your Christ come from?", she thundered again. "From God and a Woman! Man had nothing to do with him!" The entire church now roared with deafening applause. "If the first woman God ever made was strong enough to turn the world upside down all alone, these women together ought to be able to turn it back and get it right-side up again. And now that they are asking to do it the men better let them." (Sojourner Truth, Ain’t I a women? Website) Este movimento conheceu sérios reveses, mas também teve conquistas fundamentais, quer no plano dos direitos políticos, económicos, sociais, filosóficos e culturais. Não irei analisar em detalhe o movimento, até porque existe uma série de literatura especializada que o faz de forma muito mais interessante. Contudo, é forçoso reflectir sobre a razão pela qual o feminismo ganhou conotações negativas, nomeadamente em Portugal, onde o feminismo de 2ª Vaga foi praticamente ausente e o de 3ª Vaga só muito lentamente começou a ganhar expressão. A esta ausência não podemos retirar o papel disseminador da cultura backlash anti feminista (ver Faludi, Susan (1991). Backlash: The undeclared war against american women. NY: Anchor Books), que com o advento de Reagan ao poder ganha um imenso reforço e se hegemoniza. Contudo, vivemos num país em que a maioria das mulheres e dos homens se recusam a admitir como feministas, partilhando uma imagem desse movimento, como algo profundamente perturbador, desestabilizador e ameaçador das ordem social. Para além disso, promove-se a cultura da total ignorância em relação ao movimento e/ou da associação do feminismo a posições radicalizadas, uma espécie de machismo ao contrário. As feministas são vistas como mulheres barbadas, masculinizadas, que gritam histericamente direitos que até já estão conquistados. E muita gente afirma até que, bem vistas as coisas, elas até fazem mal às mulheres e o feminismo tem muitas culpas na actual situação das mulheres. Outras vezes, as pessoas, um pouco mais conscientes das desigualdades ainda afirmam que "eu não sou feminista, mas...". Ora, a invisibilidade e de negatividade das imagens feministas contribui gravemente para a fraca memória do movimento e para a ausência do mesmo na história contemporânea portuguesa. Nomes como de Beauvoir, Millett, Friedan, Gouges, Wollstonecraft, que são completamente esquecidas, deveriam fazer parte da cultura geral de qualquer estudante do ensino superior. Mas não...preferimos anomia e a ignorância. Prefere-se pensar estas figuras como desordem, como ameaça, como histéricas. Medusas, a que é preciso fugir a todo o custo. As e os feministas são urgentes e necessári@s, porque nos relembram que nem tudo foi conquistado, nem tudo está feito e que podemos viver num mundo melhor para tod@s...sem preconceitos... Por isso, sou feminista, como qualquer democrata não pode deixar de ser...el@s é que não sabem...

quarta-feira, janeiro 14, 2004

Fuck your Dreams, this is Heaven?

Imagens de Virginie Duhamel, expostas no Espaço cultural Pedro Remy em Braga até 15 Jan...quase a terminar..."Fuck your Dreams, this is Heaven" Fotografia e texto de 2 amigos de Pagan (me!)...ehheheheh Texto de João Oliveira sobre exposição Fuck your dreams, this is heaven Um olhar sobre outro olhar “Lembrava-se desse lento gotejar e do seio brando a que se encostava. O resto era um secreto e alucinado parentesco com o ventre donde viera, um quarto onde ressoavam sons, palavras; onde tudo se movia e possuía uma elasticidade confortável. Talvez as paredes do útero, raiadas de pregas que cediam ao seu peso...” Agustina Bessa Luís Interpretar uma imagem, um som, um texto, é uma tarefa habitual de públicos, artistas e críticos. Neste caso, uma tentativa de esboçar uma apresentação de uma exposição, feita por um leigo, como é o meu caso, trata-se de um perigoso exercício de equílibrio entre estas três entidades. No entanto, ao atrever-me a discorrer brevemente sobre este outro exercício, que Virginie Duhamel aqui apresenta, trago-vos uma interpretação minha sobre aquilo que penso-sinto sobre este trabalho. A fotografia é entendida aqui como uma forma de pensar-sentir um mundo, uma construção abstracta de um olhar. Não estamos perante representações directas e fiéis de um mundo, aparentando a inocência nos olhos por detrás das objectivas. Estamos perante um olhar que constrói uma imagem, um conceito, uma linguagem. Desta vez Duhamel escolheu formas circulares, arredondadas, flexíveis... pregas que cedem ao nosso peso, como diria Agustina. Esta reflexão uterina que esboça ou sugere espaços oníricos, repletos de cores e reflexos parece remeter para o domínio de um mundo nocturno, lunar...onde fantasmáticas figuras podem surgir para nos encantar...ou assombrar... É, no entanto, com desassombro, que Duhamel nos guia por essa recriação de interstícios entre um sonho e outro, permitindo ao observador sonhar os sonhos que ela sonhou. É como se de úteros se tratassem, onde em posição fetal, podemos deixar-nos adormecer em líquidos amnióticos que embalam esses mesmos sonhos. A lascívia e o desejo também surgem nestas fotografias, dessacralizando o espaço uterino, relembrando a nossa condição de desejantes, com os vermelhos luxuriantes, os amarelos do ouro e os verdes quase venenosos que nos transportam para leitos imaginários, onde nos podemos entregar aos prazeres da carne e do espírito...a preguiça da contemplação e a concupiscência do olhar. Estas obras parecem trazer alguma inquietação, o rosto de menina no vermelho, submersa de cor. Uma inquietação também na abstracção das formas, da geometria impossível, fluida. Regressados dos úteros propostos para os nossos sonhos habitarem, fica-nos a pergunta: Será desta leveza e fluidez que os nossos sonhos são feitos? E Duhamel enigmática, responde com o título desta exposição:...Fuck your dreams, this is heaven! João Manuel de Oliveira

terça-feira, janeiro 13, 2004

problemas?

Problemas com o sistema de comentários...just to let u know

On authorship?

Não, não citarei o Foucault ("O que é um autor?". Lisboa: Relógio d'Água (será esta a editora???))...Reflicto sobre o carácter destes posts, que misturam política, feminismo, cultura (já lá iremos, one of these days) e eu. Este eu (autor/a) é pois o tema deste post. Digamos que prefiro manter esta personagem oculta, não por qualquer closet reason, ou por alguma manifesta incongruência entre este eu que sou eu (que estou eu - mais transitivo, menos essencialista. Parabéns à Anabela Rocha, pela sua account queer da formação das identidades ao nível da orientação sexual....Concordo em absoluto. Apesar de não gostar muito da perspectiva psicossocial clássica que ela descreve numa das suas páginas (Branco no lilás e a identidade psicossocial), mencionando os trabalhos de John Turner, que apelam ao psicologismo básico e essencialista.) e esta personagem que escreve. Pretendo apenas evitar a categorização sexual básica entre masculino e feminino e desenvolver uma performance de género subversiva (Judith Butler (1990). Gender Trouble: Feminism and the subversion of identity. NY: Routledge). Misturo pois o privado e o político neste blog. Estes posts reportam muitas vezes às teorias feministas e pós-modernas, que vejo como metáforas políticas para analisar a construção da posição do sujeito e do discurso na contemporaneidade. Voltaremos aqui muito brevemente. Cheers

O Governo que não gosta da ciência?

Ladies and Gentlemen and all the others that refuse gender traditional dichotomic views, I am shocked. O semanário "Expresso" publica esta sábado uma vergonhosa entrevista à ministra da Ciência e do Ensino Superior, que usa uma série de justificações economicistas para defender o desinvestimento público na ciência...pena não estar disponível na net. Basicamente a Sra. Ministra usa o argumento das irregularidades nos tempos de Mariano Gago (no meu entender, o único ministro da ciência que Portugal teve), usando a Comissão Europeia e os Fundos POCTI para no fundo (não) justificar o facto de que não abrem um concurso geral de projectos há 2 anos. 2 anos de investimento zero em projectos (financiando apenas os concursos específicos) significa que uma quebra na contratação de bolseiros, uma quebra nas publicações, uma quebra na internacionalização, uma quebra na participação portuguesa na ciência mundo... Contudo, as reacções de Mariano Gago ao Público de ontem, evidenciam que as irregularidades apontadas por Graça Carvalho e usadas para justificar a falta de financiamento nomeadamente a nível de concurso públicos de atribuição de financiamento a projectos, são mais uma evidência que "o Governo português tenha preferido a guerrilha política em vez de defender os interesses do sistema científico nacional." Parece que este governo não gosta muito de ciência como mostra a análise do Conselho de Laboratórios Associados com quebras no investimento na ordem dos 31%. Para além destes indicadores económicos, as repercussões far-se-ão sentir também no sector editorial, mas essencialmente na continuada periferização da ciência portuguesa. Parece-me intolerável!
13 de Janeiro - A Vergonha Dia 13/1/2004- Continua o julgamento em Aveiro. Mulheres levadas a Tribunal quando o "Crime está na lei". Até quando as mulheres portuguesas terão de suportar tamanha ignomínia e indignidade? Até quando serão perseguidas como criminosas e terão de ostentar uma Scarlet Letter por fazerem um aborto? Consegue o Legislador dormir de consciência tranquila? Tenham vergonha... O país continua de burqa enquanto se levarem mulheres e homens a tribunal pela prática do aborto...É nestes dias que a vergonha de ser português aumenta até aos níveis do absurdo.
A propósito do julgamento de Aveiro a 13 de Janeiro de 2004 A questão do aborto evidencia o modo como determinados grupos da sociedade civil pensam a condição feminina e nomeadamente a maternidade neste país: uma obrigação. As mulheres devem ter os seus filhos, doa a quem doer, seja a elas, seja aos próprios filhos. Em prol de uma definição de vida que de tão apertada acaba por excluir os viventes daqueles que ainda nem consciência da vida têm. A evocação do facilitismo do aborto é uma afronta colectiva a um imenso número de mulheres que abortaram em condições indignas e mesmo a quem abortou em condições minimamente aceitáveis, graças a um incumprimento de uma lei cuja aplicação tem sido criminosa. Quanto à questão da liberdade, as mulheres são privadas da sua vontade, da sua auto-determinação, nem podendo decidir do destino do seu próprio corpo. Passam de sujeitos a objectos, de pessoas a ecossistemas de aprovisionamento uterino, como diria Barbara Duden. São cidadãs para tudo, menos para decidirem sobre um estado que afectará toda a sua vida. As crianças Pensemos no exemplo da mãe que explica ao/à seu/sua filho/a que ele ou ela é fruto de uma decisão consciente, racional e afectiva, a dois. Não se sentirá esta criança mais feliz por saber que é fruto de uma decisão dos pais do que saber que nasceu por uma obrigação, para que os seus pais não incorram no risco de serem levados a tribunal? Aborto e discurso natalista É claro que o velho discurso (que curiosamente encontramos na Alemanha nazi, na França de Vichy, na Itália de Mussolini) sobre a quebra da taxa de natalidade reaparece...evidenciando bem algumas das fontes ocultas do pensamento destes grupos: a alta taxa de natalidade e a reprodução da espécie, a todo custo. A apropriação dos corpos femininos (e onde andam os homens pais no seu discurso, sr. sobrevivente? Ou as mulheres fazem os filhos sózinhas?)por parte do Estado relembra as esterilizações forçadas. São no fundo expressões da mesma dinâmica: de Estados que se sobrepoem às escolhas dos seus cidadãos (ou será melhor dizer das suas cidadãs?)e estatizam os seus corpos, expropriando-os como coisas, forçando-os a cumprir os seus programas político-sociais. é isso que deseja? As mulheres que se danem e emprenhem e que acabem por parir. Sim, as metáforas animalescas devem ser usadas neste sentido, porque se a uma das partes este pensamento favorece atribuindo-lhes a vida humana, a outra é um mero portador, um útero com pernas, mas desprovido de Razão e Livre-Arbítrio e até de capacidade de decisão sobre o seu corpo, portando uma espécie de não-humano cuja função se limita a guardar o outro, que antes de nascido, já humano é. A aplicação desta lei têm transformado pois as mulheres de cidadãs a meras portadoras sem poder de decisão, já que este está na mão dos médicos. Trata-se pois de um exercício de cidadania tutelado, não livre. Por isso, para as vidas sejam vidas a sério, ao menos permita-se que as mulheres possam decidir, e não as exclua da cidadania com argumentos que como tive oportunidade de mostrar provêem de duvidosas fontes. Ah já agora, façamos a abolição dos contraceptivos...para não perturbar/interromper as vidas que ainda estão por se criar. Façamos como o Papa (e como as avestruzes - enfie-se a cabeça na areia)e a mensagem enviada à conferência da ONU sobre população e desenvolvimento no Cairo, em que se afirma a exclusão dos contraceptivos como método lícito de regulação dos nascimentos. Até porque a Sida em África é uma realidade tão distante das paredes douradas das salas do Vaticano... Homens: Atenção também à masturbação, porque o esperma contem células que podem origem à VIDA. E façamos a proibição da menstrução por decreto, já que isso mata os óvulos, outra das células que dá origem à VIDA. Mas isso é natural! E a auto-determinação das mulheres? Já não é?
Feminismos, queer, política, cultura e eu.
A Toca da Serpente Filosofante

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